Galiza, Terça-feira 21 de Maio de 2013
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O prédio da SGAE: um projecto sem sentido

A sede do SGAE é umha mostra descarada de favoritismo. É escandaloso que o Concelho ceda um bem público a umha entidade privada, para umha obra na qual nom se olhou a gastos para conseguir um efeito de “singularidade”. Os números som estonteantes: 10 milhons de euros de orçamento e 3.200 m2 de superfície construída, para levantar um prédio pago com os nossos impostos e do qual se tirará um aproveitamento privado.

A sede do SGAE é umha mostra descarada de favoritismo. É escandaloso que o Concelho ceda um bem público a umha entidade privada, para umha obra na qual nom se olhou a gastos para conseguir um efeito de “singularidade”. 

Os números som estonteantes: 10 milhons de euros de orçamento e 3.200 m2  de superfície construída, para levantar um prédio pago com os nossos impostos e do qual se tirará um aproveitamento privado.

Porque as instituiçons públicas financiam as instalaçons de umha entidade privada? Porque com o dinheiro dos nossos impostos temos que pagar o espaço físico a umha associaçom profissional que já conta com uns rendimentos próprios através dos contributos das pessoas que tem associadas e da percentagem que tira dos direitos de autoria? Porque se nos vende umha obra privada como se de umha dotaçom infraestrutural pública se tratasse? Quais os interesses que levam Bugalho, e o resto da corporaçom municipal, a assumir como próprio um projecto que em puridade só atinge à própria SGAE?

 

Surpreende ainda mais este tratamento de favor quando se compara com a situaçom por que passam ou passárom outras iniciativas culturais de carácter privado na nossa cidade. De NÓS-Unidade Popular, somos contrári@s à adjudicaçom de ajudas públicas para actividades empresariais de qualquer carácter incluído o cultural mas, em todo o caso, nom podemos deixar de chamar a atençom e denunciar que, ao tempo que as escassas salas de concertos e teatro privadas da nossa cidade sofrem dificuldades, nalguns casos mesmo provocadas pola acçom das próprias autoridades municipais, estejamos a ver como a SGAE recebe prebendas e benefícios.

 

É esta relaçom, a da SGAE com a Cámara de Compostela, umha maridagem ainda mais curiosa se repararmos na percepçom social maioritária que existe sobre esta entidade.

O SGAE nos últimos anos, tem sido o actor principal de umha polémica pública que derivou num encarecimento generalizado dos chamados “produtos culturais” sujeitos a direitos de autoria, assim como na adopçom por parte do Estado de medidas que colidem em muitas ocasions com o exercício libre do direito à liberdade de expressom e comunicaçom.

A SGAE como lobby artístico tem atingido umha capacidade de pressom que a situa na altura como umha entidade para-estatal, que sem ser parte do aparelho do Estado consegue influir nele de umha forma tam directa que mesmo em ocasions parece confundir-se.

Foi a SGAE que forçou a imposiçom de taxas de direitos de reproduçom de audiovisuais em locais de hotelaria e mesmo em associaçons culturais, assim como no gravame de um sobrepreço em cd´s e outros suportes de gravaçom de dados como medida preventiva e compensatória da possível difusom incontrolada de material com direitos de autoria.

 

Som muitos os défices de serviços que ainda tem a nossa cidade como para ficarmos impassíveis diante do esbanjamento de milhons de euros no financiamento de um projecto que terá um aproveitamento de carácter privado, por muito que Bugalho nos convide a morder o isco dos benefícios que terá para Compostela o facto de ser a sede da SGAE na “Regiom Noroeste”.

 

Mais umha vez, o governo de Compostela demonstra qual é o seu projecto de cidade, e por extensom de sociedade. Com o apoio directo à SGAE e o “presente” desta luxosa sede, a instituiçom municipal compostelana fai umha nova aposta na privatizaçom de serviços e actividades.

 

Assim, desenha-se umha actividade cultural nom participativa nem aberta ao conjunto d@s habitantes da cidade, mas ao contrário. A cultura concebe-se como umha mercadoria mais, um objecto comercial inserido no desenho da Compostela destinada à exploraçom turística.

 

O prédio da SGAE conta com o nosso rechaço ao ser umha outra mostra de um modelo de cidade que nom compartilhamos. Um outro exemplo dessa Compostela entendida como produto turístico-comercial que beneficia uns poucos e marginaliza a maioria da populaçom, que tem que se contentar com fazer parte do decorado de um espectáculo para o turismo de massas.

 

Compostela, ou o que é o mesmo, a sua vizinhança, nom precisamos deste tipo de macro-projectos arquitectónicos, e sim de que o dinheiro dos nossos impostos se dedique a projectos que realmente melhorem a nossa qualidade de vida.