Galiza, Quinta-feira 23 de Maio de 2013
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Discurso de Boas-vindas à VI Assembleia Nacional de NÓS-Unidade Popular por parte de Lara Soto

Reproduzimos a seguir o conteúdo integral do discurso de boas-vindas da companheira Lara Soto, à Assembleia Nacional decorrida no passado sábado, dia 17 de dezembro no concelho de Salvaterra de Minho.

Bom dia companheiras e companheiros,

Hoje corresponde-me a mim, em nome da Assembleia Comarcal do Condado dar-vos as boas-vindas a esta comarca do sul da Galiza que acolhe neste Concelho, Salvaterra de Minho, a VI Assembleia Nacional de NÓS-Unidade Popular.

Aqui, com o rio Minho aos nossos pés, e aos nossos olhos o irmao Portugal, garantia da supervivência da nossa língua, recebei pois um caluroso saúdo feminista, socialista e independentista.

Esta Comarca do sul da Galiza, conta com umha longa trajetória no panorama político, social, cultural e lingüístico desde a difícil década dos 70. Com os seus fluxos e refluxos, podemos falar da nossa história, da história da esquerda independentista galega como algo próprio, pois além das cidades como Vigo, Compostela ou Ferrol onde tiverom acolhida grandes luitas e concentraçons do nosso povo, no Condado podemo-nos orgulhar de ter enchido parágrafos inteiros desse livro que também hoje em dia aqui continuamos a fornecer.

Foi lá, pola década dos 70, como antes comentava, que nascia a Sociedade Cultural e Desportiva do Condado, mais conhecida como SCD. Em 1973, sob umha intensa intervençom social a sua ativa participaçom em grandes e combativas luitas populares em defesa do monte ou contra as estraçons graveiras do rio Minho, dariam os seus frutos com a criaçom da “Junta de Vizinh@s do Condado” no ano 78. Ano no que também começa a ediçom do jornal comarcal “A Voz do Condado” -autêntico aguilhom do caciquismo franquista, ou a criaçom da candidatura “Independentes por Galiza”, que se convirtiria na segunda força municipal em Salvaterra de Minho, com 3 concelheiros.

Com o início dos 80, nascia o Festival da Poesia, festival que acadou neste quase finado ano 2011 a sua XXV ediçom, e que lá pólo 1981 em Mondariz eram editadas palavras que ainda hoje poderíamos fazer nossas:

“Num pequeno baixo da Praça da Oliveira de Salvaterra, traça-se o que ia ser a linha mestra de atuaçom: que nem vila nem paróquia da bisbarra desconheceram a existência de umha cultura durante muitos anos negada e perseguida polo poder político.

Diante da impossibilidade de financiar a atividade cultural -nem a mais pequena ajuda dos organismos oficiais, aínda que sim o seu controlo-, só com um pouco de inteligência e um muito de trabalho, consegue-se que no ano 76 a sociedade seja considerada polos meios de comunicaçom como a segunda da Galiza en quantidade de atos celebrados durante o 75. (…)

Os tempos no mundo da nossa cultura, como noutros tantos, nom variarom muito: as dificuldades económicas seguem protagonizando a nossa existência, perdida a fe numha ajuda das instituiçons ou numha atividade das mesmas que poidera garantir o reforçamento da nossa cultura. Os subsídios passan a engrossar bolsas, cujo destino, como sempre e por desgraça, é menos edificante que a promoçom cultural de um povo, dumha naçom, como a nossa”.

Nesta mesma década,  a integraçom de militantes do nacionalismo de esquerda, vinculados com a candidatura das municipais em Salvaterra, em Galiza Ceive, seria um primeiro passo desta comarca na participaçom e desenvolvimento do independentismo.

Desde esta vila, como ponto estratégico pola sua condiçom fronteiriça, colabora-se com o EGPGC havendo detençons e cadeia.

Cadeia como a que a dia de hoje continua a pairar sobre as cabeças de aquelas e aqueles que luitamos pola liberdade do nosso povo. E é que Espanha nom está disposta a ceder este valioso território do noroeste peninsular que acolhe no seu seio um povo que muito ao seu pesar teima em continuar com a luita pola sua plena emancipaçom nacional e social de género.

Assim continuaria a ser também durante a década dos 90, quando da mao de Primeira Linha é impulsionado no Condado o “Processo Espiral”, parindo em junho do ano 2001 a constituiçom da Assembleia Comarcal de NÓS-UP.

Assembleia que como ponto de partida centrou todos os seus erforços e trabalho em ser a vanguarda do movimento popular que no 2002 erguia a voz indignada em contra da presença do busto do ditador espanhol Francisco Franco na praça maior de Ponte Areias. E que após umha longa campanha de informaçom, mobilizaçons, protestos e açons, atingiria o seu fim; a retirada do deleznável monumento.

A criaçom da Assembleia de Mulheres do Condado em 2003, organizaçom feminista que a dia de hoje continua fazendo trabalho comarcal, com todas as dificuldades que o rural representa para este campo de atuaçom, é outro dos frutos da reorganizaçom da nova esquerda independentista e socialista galega.

A abertura de um local social, como foi e brevemente voltará ser a Baiuca Vermelha, ou o laborioso trabalho de conseguir a representaçom do independentismo nas eleiçons municipais, primeiro em 2007 em Ponte Areias, e neste 2011 também em Salvaterra, som exemplos do trabalho perserverante do MLNG.

Nom som mais do que elos de umha cadeia forte e resistente, umha cadeia firme com intençom de que em esta comarca, assim como no País, tenhamos espaços, representaçom e direito e decidir por nós próprias.

Hoje, quase já com um novo ano às portas, a crise capitalista em curso golpeia na Galiza com força ao padecer já antes do estourido da burbulha imobiliária, condiçons de exploraçom, desemprego e pobreza superiores à meia estatal. A dia de hoje revelar-se contra Espanha, o Capital e o Patriarcado é umha necessidade vital para as mulheres galegas e para os galegos se queremos evitar a agudizaçom dos males que a crise provoca no Povo Trabalhador. Com mais de cinco mil desempregadas e desempregados nos dados oficiais na comarca e mais de 270.000 em toda a Naçom (253 na CAG), com os cortes havidos e os por haver, é mais necessário do que nunca a consolidaçom desta organizaçom política de massas do MLNG para contribuir a reforçar e desenvolver este projeto emancipador que como tal ou aprofunda na via revolucionária ou nom será.

Companheiras e companheiros, que tenhamos umha muito boa e frutífera assembleia e que o objetivo da necessária liberdade para nós, as mulheres, para o conjunto do povo trabalhador galego e para a Pátria, seja atingido na maior brevidade possível. Com compromisso, trabalho e luita é possível.