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Publicamos
no nosso web as entrevistas as
candidatas ao Parlamento Autonómico, Íria Medranho
Gonçalves e Yasmina Garcia Castro. Íria Medranho
Gonçalves é a Responsável Nacional da
Mulher e membro da Direcçom Nacional de NÓS-Unidade
Popular. Yasmina Garcia Castro
é trabalhadora da hotaleira e
membro da Direcçom Comarcal de NÓS-UP em Compostela
Entrevista
a Íria Medranho Gonçalves candidata ao Parlamento
Autonómico

A
campanha está já nos últimos dias. Podias
adiantar-nos um balanço de como decorreu para NÓS-Unidade
Popular?
A
filiaçom de NÓS-UP está a fazer desta
campanha mais umha entre as que desenvolvemos ao longo do
ano, dando continuidade à que no último ano
e meio levou às ruas da Galiza a reivindicaçom
do direito de autodeterminaçom. Simultaneamente, a
denúncia do actual sistema, dos nefastos efeitos que
o capitalismo espanhol consagrado pola Constituiçom
de 78 tem causado ao nosso povo, ocupa também lugar
de destaque numha campanha que situa a nossa organizaçom
à margem das ofertas oportunistas e vácuas com
que os grandes partidos institucionais tratam de embaucar
a maioria social galega.
Pola
nossa parte, nos actos políticos que estamos a realizar
em diversas cidades e vilas do País, falamos claramente
do programa estratégico da esquerda independentista:
de autodeterminaçom, de independência, de socialismo
e da superaçom do patriarcado inerente ao sistema capitalista
que padecemos. Denunciamos igualmente o mito do voto útil
com que os grandes partidos querem garantir umha alternáncia
que deixe inalterados os mecanismos de dominaçom impostos
polo Estado espanhol na Galiza.
Que
responderias entom a quem diga que domingo vai votar em algum
dos partidos que dim representar a alternativa ao PP?
Diria-lhe
que contraste as grandes palavras da campanha eleitoral com
a realidade dos governos concretos de coligaçom que
já existírom ou existem em grandes cidades e
diversas vilas galegas. Frente ao marketing, as promessas
e as campanhas de imagem de líderes mediáticos,
as trabalhadoras e os trabalhadores galegos temos provas claras
de que a escolha entre o pior e o mau nom é a soluçom.
Som esses governos ditos "alternativos" que assumírom
a política ambiental do próprio PP aderindo
a SOGAMA, ou que privatizárom serviços públicos
como o da água em Ferrol, ou que levam à prática
ataques crescentes contra direitos e liberdades fundamentais
em concelhos como Compostela, ou que reivindicam mais polícia
espanhola nas ruas de cidades como Vigo
A
verdade é que, ainda existindo algumhas diferenças,
existe um consenso muito amplo nos "grandes temas"
entre PP, PSOE e BNG. As infraestruturas ou o planeamento
urbanístico som exemplos desse consenso, que já
está alcançando até a política
lingüística. De facto, PSOE e BNG apoiárom
há poucos meses no Parlamento o Plano Geral de Normalizaçom
apresentado polo PP, que ameaça com dar continuidade
a duas décadas de espanholizaçom continuada.
Os três grandes partidos coincidem também numha
reforma estatutária limitada que descarta a soberania
nacional galega, baseada no mesmo autonomismo outorgado por
Madrid que rege o Estatuto actual. No caso do PSOE, em alguns
dos exemplos citados, chega a superar o nível de agressom
que caracteriza a política do PP, como é o caso
da língua. É essa a alternativa ao "fraguismo"?
Em nossa opiniom, nom, por isso somos contra qualquer alegado
"voto útil" e defendemos o voto consciente
em alternativas reais como a que NÓS-Unidade Popular
representa.
Naturalmente,
seria umha boa notícia a saída do PP do Governo
autónomo, e a definitiva despedida do velho fascista
que o preside. Porém, mais importante ainda é
que cada vez mais sectores sociais tomem consciência
da necessidade de avançar na autoorganizaçom
popular, na participaçom social e na construçom
de umha verdadeira alternativa rupturista de luita, que rompa
com o autonomismo e mantenha posiçons anticapitalistas.
Isto, em termos eleitorais, significa deixar de apoiar falsas
saídas que só geram frustraçom na maioria
social, ao comprovar que o "voto útil" deixou
todo na mesma. Esta é a mensagem que NÓS-Unidade
Popular defende, e nom só com palavras. Até
o último momento, tentamos umha candidatura autodeterminista
e socialista conjunta para aglutinar o voto soberanista e
da esquerda mais conseqüente. Infelizmente, desta vez
nom foi possível avançar nessa tarefa, o que
nom impede que os galegos e as galegas mais conscientes podam
apoiar umha candidatura como a nossa, que continua a apostar
na unidade de toda a esquerda independentista, e na construçom
de um forte movimento sócio-político soberanista,
anticapitalista e enfrentado ao patriarcado.
Quais
som, entom, os objectivos fixados por NÓS-Unidade Popular
nestas eleiçons?
Somos
conscientes que a fase actual de desenvolvimento do movimento
independentista nom dá na Galiza para grandes objectivos
em termos quantitativos, e nom o ocultamos. Para NÓS-UP,
a campanha actual serve para apresentar ante o nosso povo
trabalhador umha proposta eleitoral diferente das outras,
e que responde a um projecto ainda minoritário, sim,
mas real e nascido do seio do próprio povo trabalhador,
como se demonstra na própria composiçom das
nossas listas. A participaçom eleitoral de NÓS-UP
nom responde a nengum oportunismo, nem procura protagonismos
ou personalismos alheios à realidade do projecto colectivo
e popular que representamos.
Por
último, e do mesmo jeito que a nossa actividade nom
gira à volta das convocatórias eleitorais, tampouco
ocultamos a nossa proposta. É necessário que
a alternativa representada por NÓS-UP seja conhecida
e reconhecida por cada vez mais sectores do povo trabalhador
galego, ainda sabendo que, no nosso caso, os apoios eleitorais
só responderám ao nível de introduçom
social e de fortaleza que a esquerda independentista for lavrando
de maneira progressiva no seio do nosso povo. Daí que
nom falemos de quantos deputadas ou deputados vamos conseguir,
e sim das nossas ideias e práticas políticas,
radicalmente diferentes às das forças hoje presentes
no Parlamento. Esperamos que esta campanha poda ajudar à
socializaçom das mesmas, aglutinando novos sectores
sociais interessados nos objectivos políticos defendidos
pola Esquerda independentista galega. Garantimos também
que o apoio à nossa candidatura será apoio à
unidade das forças soberanistas e socialistas galegas,
cuja dispersom actual só ajuda a que a Galiza continue
em maos de Espanha e o capitalismo.
Entrevista
a Yasmina Garcia Castro candidata ao Parlamento Autonómico

Porque
NÓS-UP apresenta candidatura às eleiçons
autonómicas?
Inicialmente a nossa intençom era apresentar umha candidatura
unitária do conjunto de forças políticas
soberanistas e socialistas galegas. Nos últimos meses
chegáramos a umha série de acordos nesta direcçom,
porém a decisom unilateral da FPG de romper os acordos
atingidos, apresentando-se em solitário, truncou as
expectativas que demandava um sector da classe trabalhadora
e da juventude.
Sabemos que para a esquerda independentista a conjuntura política
nom é boa. O PSOE pretende ocultar as causas da situaçom
social centrando a sua total soluçom na derrota do
fraguismo. O BNG está enquadrado numha prática
autonomista e institucionalista. Perante este panorama é
evidente que é necessário que exista umha candidatura
autodeterminista e de esquerda, que defenda os interesses
da Galiza e do seu povo trabalhador. Está é
a que representa NÓS-Unidade Popular.
A
campanha da Unidade Popular gira à volta da reclamaçom
do direito de autodeterminaçom.
Pois é. Da esquerda independentista temos denunciado
em múltiplas ocasions, com umha coerente prática,
a grave situaçom que para o povo galego implica a dependência
de Espanha, que nega os nossos direitos mais fundamentais
e condena-nos a umha situaçom de exploraçom
e marginalizaçom perante os interesses económicos
e políticos do capitalismo espanhol.
O desmantelamento do sector agrário, a reconversom
no sector industrial -embora contamos com abundantes matérias
primas e energia-, a liquidaçom de IZAR, a destruiçom
da pesca, o desastre do Prestige, a altas taxas de desemprego
e precariedade laboral, a emigraçom, a perda de poder
aquisitivo,... som exemplos claros da realidade da Galiza.
Da Galiza real, nom da virtual que retratam os meios de comunicaçom.
Sem independência nacional nom é factível
superar a situaçom de empobrecimento, perda de direitos
laborais e políticos, dos retrocessos das condiçons
de vida da maioria social que configuramos as camadas populares.
Sem independência nacional nom é viável
evitar a destruiçom da nossa língua e da nossa
cultura, frear o processo de espanholizaçom. Galiza
é umha naçom, e como tal tem direito a dotar-se
de um estado próprio, exercendo o direito democrático
de autodeterminaçom.
Que
candidatura apresenta NÓS-UP?
Em primeiro lugar quero destacar que somos a única
candidatura paritária, com umha representaçom
a 50% de mulheres e homens. Entendemos que nom se pode exercer
coerentemente a luita pola libertaçom nacional e social
sem superar a opressom específica a que nos vemos submetidas
metade da populaçom, as mulheres. NÓS-UP aposta
por umha igualdade real, nom só legal ou jurídica,
das mulheres e os homens, e isto só viável superando
o patriarcado. A realidade constata que a percentagem de desemprego
feminino duplica o masculino, que por igual trabalho cobramos
menos salário, sendo as trabalhadoras galegas das piores
pagas da Uniom Europeia-, e som especialmente alarmantes os
elevados índices de precariedade em que a maioria desenvolvemos
o nosso trabalho. As mulheres sofremos umha maior temporalidade
na contrataçom, maiores dificuldades e obstáculos
para aceder a cargos de responsabilidade, sem esquecer que
a imensa maioria continua a ocupar-se em muita maior medida
que os homens das tarefas do lar e do cuidado de crianças
e pessoas maiores de forma nom remunerada.
Somos vítimas de umha violência machista que
cada dia, longe de diminuir, vai em aumento, tanto no seio
da nossa vida privada como no ámbito laboral. Oito
de cada dez mulheres sofrem ou tenhem sofrido assédio
sexual ou psicológico nos centros de trabalho. Isto
é muito difícil de combater num sistema com
umhas instituiçons geridas, concebidas e instrumentalizadas
por e para manter a supremacia do género masculino.
Daí a importáncia de um projecto político
em que as vozes das mulheres sejam as mesmas e se escuitem
ao mesmo nível que as dos homens, porque somos nós
as únicas que podemos defender realmente os nossos
interesses.
Frente
ao resto das candidaturas, sem excepçom, a de NÓS-UP
está conformada maioritariamente por povo trabalhador.
Como organizaçom socialista, que defende os interesses
do conjunto do povo trabalhador, apresentamos umha candidatura
conformada maioritariamente por assalariad@s, por mulheres
e homens do mundo do Trabalho. Somos umha candidatura com
umha forte presença juvenil, pois representamos a Galiza
do futuro, a Galiza inconformista e insubmissa que nom se
resigna com este presente, e quer conquistar um amanhá
de liberdade e justiça.
É a classe trabalhadora quem tem que hegemonizar e
dirigir a luita pola emancipaçom e superaçom
da exploraçom que padecemos. A precariedade laboral
que vivemos na Galiza fai necessário que adquiramos
umha maior consciência de luita organizativa. A taxa
de eventualidade eleva-se cada ano, basicamente entre a mocidade
e as mulheres, que sofremos em maior medida a exploraçom
capitalista. Muit@s trabalhamos em ocasions sem contrato laboral.
Cada vez há maior rotaçom nas empresas o que
supom um fortalecimento das ETTs que chegam incluso a oferecer
contratos de trabalho em práticas nom remunerados e
completamente ilegais.
Que
programa apresenta NÓS-UP?
Nove ideias força articulam o programa que desta volta
apresentamos às eleiçons. É um programa
de luita, um programa claramente independentista, de esquerda
e antipatriarcal. Um programa que sintetiza a prática
que desenvolvemos todos os dias nos centros de trabalho e
ensino, nos movimentos sociais, nas luitas populares. É
um programa pola autodeterminaçom e o nosso direito
a decidir como povo, como classe e como género. É
um programa de denúncia do quadro jurídico-político
imposto. Um programa pola liberdade e a justiça. Um
programa contra a repressom e o autoritarismo. Contra a guerra
e o imperialismo. Um programa internacionalista e solidário.
Porque
consideras que o verdadeiro voto útil é o da
esquerda independentista?
Maquilhar a superfície para manter o fundo é
o que oferecem hoje PSOE e BNG. A classe trabalhadora galega
deve saber que a possibilidade de tirar Fraga da cadeira de
mando nom mudará a nossa situaçom. O problema
da Galiza nom é Fraga, mas a opressom nacional a que
se vê submetida pola Espanha. A exploraçom da
nossa classe, os problemas das mulheres, só se podem
superar mediante umha transformaçom a fundo das estruturas
de dominaçom actuais: o capitalismo e o patriarcado.
De nada serve mudar um cozinheiro por outro se se aplicam
as mesmas receitas. Perante esta superstiçom a única
alternativa de luita e transformaçom social é
a que representa a esquerda independentista. O voto útil
pola verdadeira mudança o 19 de Junho é o voto
em NÓS-UP.
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