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Porque
NÓS-UP se apresenta às eleiçons autonómicas
A
gestom dos governos municipais das grandes cidades galegas,
e dalgumhas das principais vilas cabeceiras de comarca, realizadas
polo PSOE-BNG ou BNG-PSOE nos últimos oito anos, exprimem
com absoluta nitidez o perfil e os limites políticos
sobre os quais assenta a "alternativa ao fraguismo".
Umha parte substancial do povo trabalhador galego tem sido
governada por esta coligaçom eleitoral. A acçom
de governo municipal aplicada nas grandes cidades estivo ou
continua a estar caracterizada por umha gestom neoliberal
e um morno galeguismo traduzidos numha sistemática
privatizaçom dos serviços públicos, espanholizaçom
das festas, obsessivo respeito pola legalidade espanhola e
as mais reaccionárias tradiçons, restriçom
das liberdades democráticas e estrangulamento do movimentos
populares. Esta é a verdadeira cara das continuístas
e nefastas experiências conjuntas que continuam ainda
vigorantes nalgumhas localidades e cidades do nosso país.
Nom é necessário aprofundar nas medidas antipopulares
e antigalegas aplicadas nos seus respectivos espaços
de gestom municipal. É eloqüente a carência
da mais mínima vontade política por introduzir
medidas transformadoras ao serviço da maioria social
e do projecto nacional galego.
O
deslocamento do PP, e particularmente de Fraga Iribarne,
da gestom que vem realizando na Junta de Galiza de maneira
inenterrompida desde 1989, mediante umha hipotética
maioria alternativa nucleada polo PSOE-BNG, nom deixa de ser
umha embaucadora conjectura promovida por estas duas
forças políticas com o apoio de importantes
sectores mediáticos, económicos e financeiros
que apostam pola alternáncia, mas mantendo no fundo
idênticas políticas económicas e sociais.
Os
sectores mais avançados da classe trabalhadora, das
mulheres e da juventude galega, nom podemos acreditar nesta
superstiçom carente de qualquer base real. A maioria
dos problemas da Galiza e das suas camadas populares, dos
retrocessos nas conquistas e direitos sociais, laborais, democráticos
e nacionais, nom som fruto das políticas dos partidos
sistémicos; emanam da dependência nacional a
que nos submete o capitalismo espanhol. Sem podermos exercer
o direito democrático de autodeterminaçom, e
portanto sem superarmos os instrumentos jurídico-políticos
(Constituiçom e Estatuto) que garantem e perpetuam
a nossa opressom e dominaçom, nom é factível
mudança algumha na nossa dramática situaçom.
Nem o PSOE, nem o BNG estám por mudar nada, tam só
por assaltar Sam Caetano e as Conselharias e reproduzir
idênticas políticas mudando levemente as cores
e as formas. Eis o verdadeiro rosto da falsa alternativa
ao fraguismo. Carece de base real acreditar que Tourinho e
Quintana vam ser capazes, vam querer, abrir umha nova etapa
política neste país.
É
umha absoluta inutilidade seguir confiando o apoio eleitoral
deixando-nos levar pola mil vezes constatada falácia
do "voto útil".
Na Galiza de hoje existe um amplo consenso sobre a gestom
neoliberal na política económica, social, ambiental,
entre as três forças políticas com representaçom
institucional; na Galiza de hoje existe um amplo consenso
a respeito do debate territorial e reforma do Estado entre
BNG, PP e PSOE.
Porque
continuar a entregar cheques em branco em aqueles que incumprem
as suas promessas eleitorais?
Porque continuar a entregar cheques em branco em aqueles que
aplicam programas que significam perda de postos de trabalho,
reduçom de salários, deterioraçom da
saúde e do ensino público, espanholizaçom
do País, controlo social e restriçom das liberdades
e direitos fundamentais?
Porque continuar a entregar cheques em branco em aqueles que
som inimigos da nossa classe e da nossa naçom, ou bem
carecem da valentia política para defenderem sem ambigüidades
e complexos um programa nacional e de classe ao serviço
exclusivo da Galiza e do seu povo trabalhador?
Perante
a impossibilidade final de apresentarmos umha única
candidatura do soberanismo socialista galego, como era o nosso
desejo, NÓS-UP nom pode renunciar a que a sua voz e
a sua alternativa de futuro estejam presentes no dia 19 de
Junho. Sabemos que nom vamos modificar de imediato o panorama
político-social galego; porém, estamos firmemente
convencid@s de que o apoio que atingirmos contribuirá
para reforçar a construçom de um instrumento
de resistência e luita aberto a todas aquelas mulheres
e homens com firmes convicçons democráticas,
independentistas e de esquerda.
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